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segunda-feira, 20 de junho de 2016



No senso comum as definições para ansiedade não são claras e muitas vezes confusas.  Popularmente se utilizam vários exemplos para tentar traduzir esses sentimentos, como não conseguir dormir (insônia), preocupação excessiva e até comer demais (sendo esse muito comum).

Para entender melhor o seu significado é preciso entender, primeiramente,  que ansiedade não traduz, necessariamente uma doença.  Ou seja, a ansiedade pode ser algo normal, presente na maioria dos animais e que poderia (grosseiramente) ser resumida na capacidade desses animais (inclusive nós mesmos) reagirem, defensivamente, frente a situações ambientais.
De um modo geral, a maioria dos animais se utiliza dessas reações primitivas de percepção do perigo para preservação da vida através do instinto de fuga e luta. 
O “cérebro reptiliano” assim chamado, formado por medula espinhal e porções basais do prosencéfalo é capaz de identificar situações de perigo.  É responsável por padrões de comportamento mais instintivos (sendo essa a característica predominante nos répteis) onde não existe o raciocínio lógico ou emoção.
Entre outras funções, essa porção do cérebro se assemelha a um sistema binário na identificação do perigo, resultando em mecanismos de fuga ou luta.  Essa porção “menos humanizada” do nosso sistema nervoso central não tem a capacidade de aprender com seus erros, não tem capacidade de sentir nem de pensar.  Sua função é apenar atuar.
É por isso que costumamos dizer que o medo é algo que pode ser irracional. 

Entendendo esse conceito inicial de ansiedade, podemos compreender a importância que esse mecanismo teve na preservação da nossa espécie.  Nos primórdios da humanidade o mundo era muito mais perigoso que hoje e era importante ter os seus “sensores de perigo” presentes e funcionantes.  Isso não deixava muito espaço para a racionalidade.

Com a evolução da nossa espécie, adquirimos novas funções cerebrais que foram assumidas pelo sistema límbico (emoções) e neocórtex (raciocínio).  Surgiu então algo que mudou totalmente o comportamento do homem como indivíduo, que foi a percepção de sua própria existência.  Talvez sejamos os únicos seres que desenvolveram a capacidade de reconhecimento de sua existência em uma “linha de tempo” com entendimento de passado, presente e futuro.
Gradualmente, o homem passou a viver num mundo menos selvagem onde sua posição na base de uma cadeia alimentar não era mais tão evidente.  Como predador e conquistador do ambiente, o perigo passou a se manifestar principalmente na capacidade de se manter alimentado e de não faltar alimentos.  O perigo passa, evolutivamente, a não ser algo tão “palpável” mas algo que poderá se manifestar futuramente.  Isso porque, como dito antes, o homem passa a ter percepção de sua própria existência e percepção de sua posição em uma “linha de tempo”.  Ao conseguir usar essas percepções ao seu favor, o homem passou a ter novas vantagens evolutivas.  Entendendo que os recursos eram limitados e poderiam acabar, o homem começou a se preocupar com armazenamento e criou técnicas de obtenção de recursos que culminaram no advento da agricultura e pecuária.  O homem deixou de ser coletor e caçador para gradualmente dominar o ambiente a sua volta.
Podemos entender que aquilo que motivou os homens a mudar de nômades (caçadores, coletores) para sedentários com possibilidade de prosperação, foi a percepção que a vida errante não era tão boa e a moradia fixa poderia oferecer vantagens.

Essa é a “parte boa” da ansiedade.  Quando percebemos que algo a nossa volta não está bom, somo motivados a tentar fazer algo novo, algo diferente do que vem sendo feito até o momento e que, para nós, não se mostra suficiente para alívio desse nosso desconforto.  Assim, um desconforto, uma percepção de um ambiente desfavorável, a identificação de “algo ruim” serve como base para a prosperidade.

Mas há, também, formas de manifestação da ansiedade que nos “paralisa” e que nos atrapalha, impedindo que tomemos decisões para melhorar nossas angústias.  É aqui que se identificam os “transtornos ansiosos”, ou a ansiedade traduzida como doença.  São esses transtornos ansiosos como o pânico, a ansiedade generalizada e as fobias que comumente são relatados como "ansiedade" de um modo geral pelas pessoas.

De um modo geral, então, é possível entender que nem toda a manifestação de ansiedade é algo ruim para nós e dependemos disso até mesmo para as nossas tomadas de decisões.  Entretanto, quando se apresenta de forma descontrolada, a ansiedade pode ser origem de estados patológicos, dando origem aos transtornos ansiosos.

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segunda-feira, 6 de junho de 2016


Mitos e verdades sobre antidepressivos

Apesar da comprovada eficácia dos antidepressivos, existe uma série de preocupações e suposições em torno de tema quem nem sempre se confirmam. Tire suas dúvidas.

1- Antidepressivos, ansiolíticos e tranquilizantes são nomes diferentes para as mesmas coisas.
Falso: No fim da década de 1950, a descoberta de drogas antidepressivas trouxe um avanço importante no tratamento e no entendimento de possíveis mecanismos subjacentes aos transtornos depressivos. Tornou a depressão um problema médico passível de tratamento, semelhante a outras doenças como o diabetes e a hipertensão arterial. Os antidepressivos são medicamentos com mecanismos de ação complexos utilizados para tratar quadros depressivos e uma gama de transtornos psiquiátricos.
Os ansiolíticos, popularmente chamados como tranquilizantes, são representados, a grosso modo, pelos medicamentos da classe dos benzodiazepínicos. O efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos pode ser visto nas primeiras seis semanas de uso, sendo esse período de tratamento suficiente para até 50% dos pacientes.

2- Os antidepressivos viciam.
Falso: Quando as pessoas questionam se uma determinada medicação vicia, ela está interessada em saber se existe risco de dependência ao fazer uso regular daquele remédio. Segundo a Classificação Internacional das Doença (CID 10), a dependência é definida por um padrão mal-adaptado de uso de substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, de acordo com critérios bem definidos, entre eles:

1. Necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado;
2. Acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância;
3. A substância é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência;
4. A substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido;
5. Existe um desejo persistente ou esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância;
6. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância ou na recuperação de seus efeitos;
7. Importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância;
8. O uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância.
Os antidepressivos não estão associados a desenvolvimento de sintomas de dependência de substância, segundo os critérios da CID 10, exceto por sintomas de retirada que podem ocorrer e, portanto, a sua introdução, manutenção e retirada devem ser orientadas pelo médico. Essa preocupação, no entanto, é verdadeira para as medicações do grupo dos benzodiazepínicos (tranquilizantes).

3- Deixam as pessoas “dopadas”.
Falso: O avanço da pesquisa em psicofarmacologia de antidepressivos vem oferecendo aos pacientes substâncias com perfis farmacocinéticos, de tolerância e de interações com outras drogas bastante diferentes entre si. Verifica-se um esforço no sentido de aperfeiçoar cada vez mais a ação em sítios receptores determinantes da eficácia clínica, evitando aqueles responsáveis pelos efeitos colaterais.

4- Antidepressivos danificam o cérebro ou alteram a personalidade?
Falso: Os antidepressivos não influenciam de forma acentuada o organismo normal em seu estado basal, apenas corrigem condições anômalas (doenças). Em indivíduos sem pré disposição a estados patológicos do humor, não provocam efeitos estimulantes ou euforizantes.

5- São a única forma de tratamento para a depressão.
Falso: Existem tratamentos não farmacológicos para quadros depressivos, assim, quadros depressivos leves podem ser tratados com psicoterapia, enquanto quadros depressivos muito graves, com eletroconvulsoterapia, por exemplo.

6- Qualquer médico pode prescrever antidepressivos.
Verdadeiro: O código de ética médica, no seu capítulo segundo, discorrendo sobre os direitos do médico diz: é direito do médico indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente.


Adaptado do Texto Original de
Antonio Carlos Cruz Freire / CRM BA16992
Médico psiquiatra, professor de psiquiatria da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (Bahiana), preceptor do Programa de Residência Médica do Hospital Juliano Moreira (HJM), diretor técnico do HJM e do Espaço Bom Viver, doutorando em Medicina e Saúde Humana pela Bahiana.
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Antidepressivos viciam?

Essa é uma dúvida muito freqüente na prática clínica diária. Muitos pacientes ficam temerosos em fazer uso de medicamentos antidepressivos por suspeitarem que podem ficar dependentes. Para eliminar essa dúvida é preciso primeiramente esclarecer que nem todos remédios utilizados para tratamento de transtornos mentais são antidepressivos. Dentre os medicamentos mais utilizados temos basicamente os ANTIDEPRESSIVOS, os ANSIOLÍTICOS, os ANTIPSICÓTICOS, e os ESTABILIZADORES de HUMOR. Os ansiolíticos (facilmente reconhecíveis por apresentarem uma faixa preta na caixa) são os medicamentos que podem causar dependência caso o uso seja feito de forma incorreta. Todos outros medicamentos citados não possuem a capacidade de deixar a pessoa “viciada”. Mesmo assim os ansiolíticos são medicamentos muito úteis para tratamento de diversas patologias. O que observamos é que em algumas ocasiões os pacientes ficam em dúvida sobre efeitos colaterais e possibilidade de causar ou não dependência. Assim, acabam usando as medicações prescritas de forma inadequada interrompendo o tratamento precocemente podendo causar cronicidade de sintomas. A melhor forma de resolver esse problema é através de um diálogo aberto com seu médico. Questione sempre e jamais saia de uma consulta com dúvidas.  E lembre-se: antidepressivos NÃO CAUSAM DEPENDÊNCIA!
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quinta-feira, 2 de junho de 2016


SEROTONINA BAIXA?

Inúmeras vezes recebo questionamentos sobre exames (às vezes solicitados pelo próprio paciente ou até por outros colegas médicos) de serotonina.  Frente a uma alteração do resultado desse exame é comum que as pessoas concluam, de forma precipitada, que estão frente a um diagnóstico de depressão.
Para tentar esclarecer isso, é importante lembrar que a Serotonina é apenas uma das inúmeras aminas envolvidas no processo da depressão.  Outros neurotransmissores como noradrenalina e dopamina já são conhecidos há muito tempo.  E existem evidencias cada vez mais robustas sobre o envolvimento de outros neurotransmissores como melatonina e até canabinóides na gênese da depressão.
A importância da Serotonina, e sua relação com a depressão, se tornou muito popular ao final da década de 1990 quando o medicamento Fluoxetina começou a ser comercializado.  Esse foi um dos primeiros da classe chamada inibidores seletivos da recaptura de serotonina (ISRS).  Tais medicamentos aumentam a atividade das vias serotoninérgicas e, assim, auxiliam o tratamento da depressão e da distimia. No entanto, apenas 1% da serotonina está contida no sistema nervoso central, não havendo evidências de que sua dosagem (exame de sangue) contribua para o diagnóstico e o acompanhamento de doenças neuropsiquiátricas. O restante se encontra principalmente no sistema digestivo, nas células enterocromafins, a partir das quais a substância é liberada para a circulação, podendo ser catabolizada em ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA), cuja dosagem é feita na urina, ou capturada pelas plaquetas.



Mas então, qual seria a utilidade desse exame?
O exame é especialmente útil no diagnóstico da Síndrome Carcinóide que é decorrente de Tumores Carcinóides.  Esses tumores, que geralmente aparecem no trato gastrointestinal (estômago, intestino delgado, apêndice, cólon ou reto), secretam serotonina e outros hormônios na corrente sanguínea.  Em fases avançadas da doença acontecerá um aumento desses hormônios na circulação e isso é a principal causa de sintomas como rubor facial, cólicas, diarréia e broncoespasmo.  A dosagem da Serotonina sérica (no sangue) ajuda a diagnosticar essa situação conhecida como Síndrome Carcinóide.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Além da rede privada, formada por médicos psiquiatras que atuam em seus consultórios, Jaraguá do Sul possui atendimento médico especializado na rede do SUS.  A cidade conta com um CAPSII, um CAPSad e um Ambulatório de Saúde Mental Infanto Juvenil.

Maiores informações sobre o funcionamento do CAPSII você encontra no blog www.caps2jsul.blogspot.com

Aqui você encontra uma lista de médicos psiquiatras da Associação Brasileira de Psiquiatria.  Disponível para profissionais de todo o Brasil.
Daniel Medeiros - Médico Psiquiatra em Járaguá do Sul
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quarta-feira, 26 de maio de 2010


A todos os leitores do Blog Prontamente, comunicamos que desde o inicio de 2016 iniciamos uma reestruturação do site. Com uma nova interface, mais moderna e objetiva, procuramos deixar o site mais atrativo e com conteúdo melhor distribuído.  O site agora está disponível em dispositívos móveis.  É possível que algumas páginas não funcionem adequadamente.  Por isso, caso encontre algum problema na navegação entre em contato para que possamos resolver a situação.  Nosso objetivo continua sendo levar até o leitor informações de qualidade.  Fique a vontade para sugerir novos assuntos e aproveite.  O site foi feito para você leitor.

Agradecemos sua visita.

Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - Médico Psiquiatra em Jaraguá do Sul










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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Outras vezes já escrevi posts com testes de screening para algumas doenças psiquiátricas. A aceitação foi boa e muitas pessoas demonstram interesses por esses testes. É importante deixar claro que os testes padronizados servem apenas como um indicativo de que a pessoa necessita de uma avaliação especializada. Não podemos usar esse teste como diagnóstico definitivo.  O teste a seguir foi elaborado pela OMS e serve para screening (triagem) de depressão.
Escolhas as opções que melhor representam seu estado nas últimas 2 semanas

Todo o tempo
Maior parte do tempo
> Metade do tempo
< Metade do tempo
Algum tempo
Nunca
1
Tenho me sentido alegre e bem humorado(a)
5
4
3
2
1
0
2
Tenho me sentido calmo e relaxado(a)
5
4
3
2
1
0
3

Tenho me sentido ativo(a) e vigoroso(a)
5
4
3
2
1
0
4
Tenho acordado e me sentido bem e descansado(a)
5
4
3
2
1
0
5
Meu dia-a-dia tem estado cheio de coisas que me interessam
5
4
3
2
1

0

Um escore inferior a 13 indica nível baixo de bem-estar e é indicação para pesquisa de depressão. Veja mais testes de screening acessando nossa sessão de testes.

Dr. Daniel Medeiros – médico psiquiatra em Járaguá do Sul
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sábado, 23 de janeiro de 2010




A Prontamente Psiquiatria oferece o serviço de atendimento domiciliar (ou home care) para pacientes que não podem comparecer ao consultório para realização de consulta médica. É caracterizado como uma consulta domiciliar com horário previamente agendado. Não disponibilizamos atendimentos de urgência à domicílio.
A família pode optar ainda por internação domiciliar. Indicada quando existe a necessidade de o paciente ser monitorado com maior frequência pelo médico. O médico visita o paciente diariamente em sua casa, prescrevendo medicamentos para controle dos sintomas presentes. Esse tipo de serviço não é indicado para todos indivíduos e será disponibilizado somente após avaliação presencial do paciente e sua família.


Dr. Daniel Medeiros - Médico Psiquiatra, Jaraguá do Sul - SC
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


Diversas vezes ao longo da prática clínica diária, recebi pacientes que diziam que seu problema (geralmente psíquico) era devido a "falta de lítio" em seu corpo. Resolvi escrever este post para esclarecer aos leitores sobre o funcionamento do lítio em nosso organismo.

O lítio (um metal alcalino que pertence ao grupo Ia da tabela periódica) foi introduzido na medicina como substância terapêutica por Garrod, em 1863. Contudo, águas e suspensões com elevado teor de lítio haviam sido utilizadas durante centenas de anos como "curas" para variadas doenças. Nos anos 20, o lítio era usado como anti-epiléptico e tonificante geral e o brometo de lítio como hipnótico. Nos anos 40, usava-se cloreto de lítio como um substituto do Cloreto de Sódio para doentes cardíacos que necessitavam controlar a ingestão de sódio. A sua utilização foi suspensa quando se descobriu a extrema toxicidade do lítio em presença de baixos níveis de sódio. A eficiência do lítio no tratamento de desordens maníacas reporta-se a Cade, em 1949. Esta aplicação do lítio foi rapidamente aceita na maioria dos países europeus. Contudo, só nos anos 70 é que o carbonato de lítio foi comercializado nos Estados Unidos para o tratamento da fase maníaca do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).

Fonte:
http://www.ordembiologos.pt/Publicacoes/Biologias/4_Litio%20--%2020Abr05.pdf

Feita essa breve introdução sobre o lítio, vamos ao assunto principal: "problema de lítio baixo". É importante deixar claro que nosso organismo não retém o lítio que está presente nos alimentos. Dessa forma, todo o lítio proveniente de nossa dieta é excretado (pois não é utilizado pelo nosso corpo). Assim, qualquer pessoa que for submetida a uma dosagem de lítio (litemia) certamente terá doses baixas de lítio no corpo a não ser que esteja fazendo um tratamento com medicamento a base de lítio.
Então, por que se faz exame de lítio?
A única indicação plausível de realizar uma litemia é para pacientes que usam lítio. Parece simples mas, na verdade, isso causa uma grande confusão entre alguns pacientes. O lítio tem sido utilizado com sucesso no tratamento de alguns distúrbios psiquiátricos sendo a sua principal indicação o TAB tipo I. Os pacientes portadores de TAB geralmente sofrem períodos de depressão alternados com períodos de euforia (mania). Assim, é comum vermos pacientes “aparentemente depressivos” fazendo o uso de lítio. Talvez essa seja uma das principais fontes da confusão em torno do lítio. Muitos pacientes acreditam que são depressivos por apresentarem uma baixa quantidade de lítio no sangue. Na verdade não existem exames laboratoriais que possam determinar se uma pessoa está ou não com depressão. O uso do lítio não se dá como uma terapia de reposição (ou seja, repor o lítio faltante para sanar um determinado problema decorrente dessa falta). É mais correto considerá-lo como uma terapia medicamentosa (como qualquer outro remédio). Usa-se lítio para “combater” uma doença. Pensar que a falta de lítio causa alguma doença é um erro.
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Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - médico psiquiatra em Jaraguá do Sul - SC
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010















Artigo publicado no Estadão em 28/09/2009
Dr. Ronaldo Laranjeira

Recentemente, divulgou-se a opinião sobre o futuro da política de drogas no Brasil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defende maior liberdade de uso da maconha. Fernando Henrique disse que um mundo sem drogas é inimaginável, expressando a visão da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia. Ao alegar que a sociedade conviverá sempre com as drogas, defende com uma clara distorção da racionalidade a idéia de que isso deveria tornar os usuários imunes ao sistema criminal. Teríamos uma inovação na área dos direitos humanos, na qual todos nós deveríamos ter o direito de continuar usando drogas ilícitas, independentemente das consequências negativas para o indivíduo e para a sociedade. Por essa visão, seria um abuso dos direitos individuais qualquer constrangimento ao uso de drogas.

No Brasil, a lei que regula o consumo de substâncias (Lei nº 11.343/2006) trouxe mudanças significativas, com menor rigor penal para o usuário. Ainda não se sabe se produziu alguma diminuição do consumo de drogas. Todas as evidências indicam o contrário. Em relação à maconha e à cocaína, somos um dos poucos países do mundo onde o consumo está aumentando. No mínimo, essa nova lei não impediu esse aumento. Estamos com maior liberdade para usar drogas, mas os usuários continuam tão desinformados e desassistidos de tratamento quanto antes.

A defesa do direito ao uso de drogas é uma visão por demais simplista e não leva em consideração a complexidade do uso de substâncias, em particular as modificações que o uso de drogas provoca no sistema nervoso central. Parte-se do princípio de que todos os usuários de drogas teriam plenas capacidades de decidir sobre o seu consumo. Não podemos afirmar que todos os que usam drogas estejam comprometidos quanto ao seu julgamento, mas podemos argumentar que uma parte significativa dos usuários apresenta diminuição de sua capacidade de tomar decisões.

As drogas que produzem dependência alteram a capacidade de escolher quando, quanto e onde usar. É ilusório pensar que um dependente químico tenha total liberdade sobre o seu comportamento e possa decidir plenamente sobre a interrupção do uso. É por isso que os dependentes persistem no comportamento, com grandes prejuízos individuais, para sua família e para a sociedade.

Se, por um lado, a opinião de Fernando Henrique carece de legitimidade com relação aos direitos humanos básicos, pois não existe um direito ao uso de drogas ilícitas, por outro, temos aspectos do debate que não foram mencionados. Por exemplo: existe uma relação entre saúde e direitos humanos. As Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde desenvolveram recentemente o conceito de que todos deveriam ter o direito ao mais alto padrão de saúde possível (right to the highest attainable standard of health). É um conceito relativamente novo, com não mais de dez anos. Afasta-se de declarações vagas sobre saúde e responsabiliza a sociedade e o sistema de saúde pela implementação de políticas que garantam a qualidade dos cuidados.

Recentemente o Estado de São Paulo deu um bom exemplo de garantia do mais alto padrão de saúde possível ao proibir o fumo em todos os ambientes fechados. O que se garantiu nessa nova lei não foi o direito de fumar, mas o direito de a maioria da população ser preservada do dano da fumaça. Mesmo os fumantes têm o seu direito a um mais alto padrão de saúde garantido ao ser estimulado a fumar menos. Esse foi um exemplo de como é possível termos intervenções governamentais que preservem o direito à saúde e ao mesmo tempo sinalizem uma intolerância ao consumo de uma droga que mata um número substancial de cidadãos.

Experiências de sucesso em outros países apontam na direção de combinar estratégias, do setor de Justiça com o setor educacional e de saúde, para que se obtenham melhores resultados. Leis que sejam respeitadas e fiscalizadas tendo como objetivo o bem comum. A Lei Seca, que proíbe o beber e dirigir, identifica o indivíduo e impõe sanções, também pode ser um exemplo, pelo número de vidas salvas até o momento. O fato de se criar uma intolerância com o fumar ou com o beber e dirigir em nenhum momento produziu desrespeito aos cidadãos que fumam ou bebem.

No Brasil não temos uma política de prevenção do uso de drogas. Deixamos os milhões de crianças e adolescentes absolutamente sem nenhum tipo de orientação sobre prevenção do uso de substâncias. Fornecemos muito mais informações sobre o meio ambiente do que com os cuidados de saúde. Temos uma boa política de prevenção ambiental, mas não temos com relação às drogas. Não temos um sistema de tratamento compatível com a magnitude do problema, deixando milhares de usuários completamente desassistidos.

O tema proposto por Fernando Henrique Cardoso é importante, traz a oportunidade de debatermos que tipo de política construir para a próxima geração. Queremos uma sociedade em que o uso de drogas seja um direito adquirido? Ou queremos uma sociedade muito mais ativa, em que o sistema de Justiça funcione em sintonia com os sistemas de saúde e educacional e possamos criar ações baseadas em evidências científicas para diminuir o custo social das drogas?

Talvez um mundo sem drogas jamais exista. Como também não existirá um mundo sem crimes ambientais ou sem violações dos direitos humanos. Isso, no entanto, não é desculpa para descartar o ideal e continuar a lutar pelo objetivo de um mundo melhor. Tolerar as drogas, banalizar o seu consumo não é a melhor opção para uma sociedade que valorize a saúde e os melhores valores de respeito à dignidade humana.

Ronaldo Laranjeira, professor titular de Psiquiatria da Unifesp, é coordenador do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas (Inpad) do CNPq
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Como forma de justificar a manutenção do uso, os usuários de maconha geralmente se defendem alegando que a cannabis é uma substância natural e que não traz malefícios para sua saúde. Essa justificativa não é mais válida há pelo menos 7 anos. Um importante estudo publicado no British Medical Journal [BMJ. 2002 November 23; 325(7374):1119] acompanhou durante 30 anos jovens que se alistavam no exército da Suécia em 1969. Os resultados desse estudo mostraram que ao final de 30 anos de acompanhamento os jovens que fizeram uso de maconha pelo menos uma vez por semana, quando tinham entre 18 e 20 anos, tiveram duas vezes mais risco de desenvolver esquizofrenia quando comparados as pessoas que nunca fizeram uso de maconha. Também se viu que os jovens que fizeram uso de maconha mais de uma vez por semana tiveram 3 vezes mais risco de desenvolver esquizofrenia. Estudos mais recentes mostram que o risco se estende para idades mais precoces sendo a puberdade a faixa etária onde a associação entre o uso de maconha e o desenvolvimento de esquizofrenia se mostra mais freqüente. Dentro desse grupo, os jovens com história familiar de doença psiquiátrica devem ser especialmente alertados para que não façam o uso de maconha. Pessoas que experimentaram sensações desagradáveis durante o uso de maconha como desrealização (alteração da sensação a respeito de si próprio) e despersonalização (sensação de estar desligado do mundo como se, na verdade, estivesse sonhando) devem interromper o uso da droga já que nesses indivíduos o risco de esquizofrenia e outras psicoses se mostra significativamente maior que na população geral.

Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - Médico Psiquiatra em Jaraguá do Sul - SC
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O planejamento do tratamento para Transtorno do Pânico vai depender da gravidade dos sintomas apresentados. Entretando, podemos resumir as alternativas para tratamento em terapia medicamentosa, psicoterapia e terapia combinada.

Na terapia medicamentosa usamos medicamentos para controle dos episódios de pânico. As medicações utilizadas para o tratamento do pânico são, muitas vezes, os mesmos remédios usados no tratamento da depressão. Nem todos antidepressivos são úteis para tratar o transtorno de pânico, entretando, a maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento do pânico são, também, utilizados na depressão. Esses medicamentos a que me refiro são os antidepressivos. Exitem diversos antidepressivos disponíveis no mercado, entretanto, sabemos que os mais úteis para o tratamento do pânico são os inibidores seletivos da recaptura de serotonina (ISRS). Esses medicamentos não possuem efeitos imediatos. Todos eles possuem um tempo de latência para que os resultados apareçam. Esse tempo é variável sendo que, em média é de três a seis semanas. Isso faz com que muitos dos pacientes não continuem o tratamento. Geralmente quando se procura o médico psiquiatra (ou clínico) o paciente está muito angustiado e deseja ter alivio imediato dos seus sintomas. Quando se inicia o tratamento medicamentoso o paciente fica sujeito a efeitos colaterais desde a primeira dose. Mas lembre-se que os efeitos terapêuticos (que o paciente deseja ter) levam semanas para aparecer. Assim o abandono na fase inicial do tratamento é frequente. O paciente pode pensar: "- antes eu me sentia mal, ansioso... agora com o uso do remédio além de me sentir mal e ansioso ainda tenho esses efeitos colaterais". Por isso é importante discutir com seu médico todos os possíveis efeitos colaterais antes de iniciar um tratamento. O conhecimento prévio de reações adversas faz com que esses efeitos se tornem mais toleráveis.
Ainda dentro do arsenal terapêutico medicamentoso temos a possibilidade de usar ansiolíticos. Os ansiolíticos, ao contrário dos ISRS oferecem alívio imediato dos sintomas de pânico. Ou seja, assim que a pessoa toma o efeito aparece tendo apenas alguns minutos de latência (dependendo da apresentação). Entao surge uma dúvida: por que devemos utilizar ISRS (que demoram mais para fazer efeito) ao invés de ansiolíticos que oferecem alívio mais rápido? A resposta pode ser vista nos graficos abaixo.

No primeiro gráfico vemos a evolução de um quadro de pânico sem tratamento e com tratamento. Vamos considerar, nesse caso, que o tratamento utilizado seja um antidepressivo do tipo ISRS. Note
que o tratamento faz com que as crises de pânico fiquem mais distantes uma das outras. Se percebe ainda que a intensidade da crise, quando presente, é menor do que as crises quando o paciente está sem medicação.
Já no segundo gráfico, o que vemos é uma comparação da evolução do pânico com o uso de Benzodiazepínicos (ansiolíticos) e sem nenhum outro tipo de tratamento. Podemos perceber que os ansiolíticos não reduzem a frequência das crises, mas apenas a sua intensidade. São medicamentos excelentes para controle de um episódio de pânico, diminuindo rapidamente os sintomas e proporcionando alívio para o paciente. Entretanto não são uma boa escolha para uso contínuo já que eles não fazem com que as crises fiquem "mais distantes" umas das outras como ocorre com os ISRS. Por isso, mesmo os ISRS sendo remédios que "demoram" mais para iniciar o efeito, o seu resultado final é superior aos ansiolíticos no controle do quadro.


Leia mais sobre Síndrome do Pânico no Blog Prontamente, PsiqWeb

Abaixo, um vídeo sobre o trantorno de pânico mostrando sua evolução e sintomas principais.


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de Paulo Costa Lima.

O fervor místico de ex-viciados me espanta e enternece.
Há claramente uma formação delirante, cuja couraça impede qualquer exercício de razão.
A conversa roda em círculos, a mitologia se oferece como âncora de salvação: contra o quê?
Lutar contra o sofrimento é uma coisa, contra a memória do prazer desmedido, bem pior.
Há aí nesse enlace entre prazer e sofrer uma equivalência perversa - a diminuição na taxa de prazer é sofrimento, a diminuição na taxa de sofrimento, prazer.
A psicanálise desenvolveu uma síntese, e aprendeu a chamar esse iô-iô de gozo. Quem sofre também goza, confirmam fobia, hipocondria, obsessão, histeria e pânico.
Mas oh cronista desassuntado: que assuntos são esses? Pra onde vai a cultura?
Pois é, pra onde vai a cultura, que a vejo aproximando-se mais e mais da experiência de adição/vício; que a vejo mais e mais como recepção um tanto frenética dos novos produtos e formatos...
Se isso é uma tendência como estaremos em duas décadas?
Que buraco negro se instala nos milhões de cérebros ensinados a exigir códigos imediatos de empatia e felicidade instantânea - rejeitando com frieza qualquer proposta de adiamento do prazer de reconhecimento e júbilo?
Os sujeitos de hoje tendem a gozar sozinhos na onda das bulimias, das anorexias, das toxicomanias. E esse é um fato de divã.
Como poderia ser diferente na relação com a arte, com a música, por exemplo?
Como legitimar 'causas' e 'princípios' no campo da arte e da cultura, se essas coisas implicam necessariamente um enlace com o campo do Outro, a construção de uma historicidade coletiva (haveria outra?)?
Será por isso que todo o ambiente de reflexão crítica e de intervenção crítica, duramente conquistado no Século XX, parece simplesmente condenado à irrelevância comunicativa nos dias de hoje - sendo a irrelevância comunicativa a pior irrelevância que existe?
O espaço anteriormente reservado à 'causa' vai sendo progressivamente substituído pela estratégia de visibilidade, o 'gancho', aquele algo mais capaz de conquistar público e mercado.
A substância permanece. Algumas canções da jovem guarda já soam como clássicos.
Hoje podemos apreciar o conteúdo profético da anti-obra de Andy Warhol. Sua obra anuncia tudo o que estamos falando. E vai além: lá a seu modo tanto materializa como denuncia o que está acontecendo. Celebra e desnuda ao mesmo tempo.
Adeus ao superego difundido pelo freudismo, aquele que reprime e censura. Quais as conseqüências de produzir arte/cultura sem essa baliza, na era do gozo ilimitado?
Vivemos na época do superego selvagem, uma instância descoberta/inventada como origem da ordem inexorável que permeia os humanos: Goza!
A ordem para gozar - descobrimos com Lacan (que mostra ter lido nas entrelinhas de Freud) -, é a ordem mais fundamental. A ordem pra gozar é a ordem para ser, e existir.
Lá no sertão, já dizia o forró: Antonio Guedes, Zeca Guedes, Mané Guedes / O diabo desses Guedes que não param de Guedar... O poeta transformou o nome em verbo; todos nós passamos a vida Guedando, a nosso modo.
Mas quando o gozo é ilimitado, e quando banimos para longe a mediação da causa, ficamos diretamente em contato com essa ordem primeira de um outro onipotente, tal como no fervor místico dos ex-viciados, onde o que sobra é do campo do pavor dessa proximidade, do pavor de gozar tudo e de morrer.
Será esse o futuro/presente da cultura?
Últimos Consolos:
Examino com admiração a fotografia de uma flauta feita de osso de ganso, datada de 36.000 anos antes de Cristo. A música sobreviveu a tudo. Certamente continuará assim.
Tudo isso é irrelevante num planeta que aquece a olhos vistos.

Paulo Costa Lima é compositor, professor da Escola de Música da UFBA. www.myspace.com/paulocostalima - http://www.paulolima.ufba.br/ Fale com Paulo Costa Lima: paulocostalima@terra.com.br


O texto de Paulo Costa Lima traduz com riqueza poética um dos problemas mais frequentes da atualidade e que acabam sendo atendidos diariamente por psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, padres, conselheiros, etc. Me parece que as pessoas já não conseguem mais esperar para ter prazer. Precisam saciar imediatamente suas necessidades e a qualquer custo. Mas por quê? Talvez pelo fato das pessoas, hoje em dia, "comprarem" felicidade. Diariamente somos bombardeados por publicidade que vendem a idéia que "você é feliz se tiver tal camisa, ou se comprar tal celular, ou se comprar tal carro, ou se comer aquela comida". Num mudo extremamente competitivo onde as relações humanas se enfraquecem cada vez mais justamente devido a necessidade de "estar sempre a frente e garantir meu lugar ao sol", acabam faltando espaço ou tempo para almoçar com a família, para passear com seu filho, para dormir até mais tarde, para "não fazer nada". Muitos adultos de hoje foram criados em ambientes assim e o que se percebe é que alguns simplesmente não conseguem "sentir" felicidade. Talvez pelo fato de que durante a vida toda foram condicionados a "ter" felicidade. Aqui começamos a discutir dois conceitos importantes: ser feliz e ter felicidade. Muitas pessoas não conseguem viver a experiência de "ser feliz". É possível que essas pessoas possam se tornar vítimas fáceis do consumismo desenfreado. Na verdade buscam enlouquecidamente um momento de plenitude, um momento de felicidade, nem que isso dure apenas alguns instantes. Passado o efeito eufórico do prazer imediato causado pelo "ter" o indivídduo percebe que continua não se sentindo pleno, não se sentindo feliz. Um terreno fértil para adições e compulsões.

Daniel Bittencourt de Medeiros - médico psiquiatra em Jaraguá do Sul.
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domingo, 13 de setembro de 2009

Entrevista de Dr. Daniel Medeiros à Revista Vitta, disponibilizada na íntegra.

O que é Transtorno Dismórfico Corporal?

O TDC é um transtorno mental no qual a pessoa acredita que é portadora de algum defeito em sua aparência. Geralmente o defeito é imaginário mas, por vezes, alguma pequena anomalia pode estar presente sendo que é percebida de forma acentuada pelo paciente. Quase sempre os portadores referem um profundo sentimento de vergonha por se julgarem muito feios ou deformados.

O que desencadeia esse Transtorno?

Não existe uma causa única definida. Entretanto se percebe que a “uniformização” dos padrões de beleza associado a uma preocupação excessiva em ter uma aparência adequada (seguindo esses padrões) pode ser origem do aumento do desconforto em relação a auto-imagem

É importante lembrar que não existem pessoas iguais. Entretanto podemos partilhar de algumas semelhanças dentro de um grupo ou etnia. Esses padrões de variações podem ser facilmente reconhecíveis na cor da pele, tipo de cabelo, traços fisionômicos (ex. o nariz adunco dos judeus) ou tipo de corpo (brevelinio, longilinio).

Cada vez mais, seguindo as tendências de globalização, as pessoas cultuam um padrão uniforme de beleza. A associação desses padrões de beleza a “sucesso”, “bem estar” e “felicidade” (comumente explorado nos comerciais) faz com que as pessoas busquem desesperadamente por formas corpóreas que muitas vezes não são adequadas para sua raça ou padrão genético. Vemos o exemplo de orientais que se submetem a cirurgias palpebrais para se tornarem mais “ocidentalizados”.

Esse Transtorno é associado a outros? Quais?

Existem alguns autores que sugerem que esse transtorno poderia ser uma variante do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Os sintomas depressivos frequentemente estão presentes justamente pelo fato da pessoa não estar contente com a própria imagem levando invariavelmente à insegurança e baixa auto estima.

Li que a dismorfofobia também é conhecida como “feiúra imaginária”. Você poderia me explicar isso?

Segundo a Classificação Internacional de Doenças Edição 10 (CID10) um dos critérios diagnósticos para o TDC é uma “recusa persistente de aceitar a informação ou reasseguramento de vários médicos diferentes de que não há nenhuma doença ou anormalidade física.”. Ou seja, apesar de todos não perceberem os defeitos relatados pelo paciente, ele persiste acreditando e sofrendo por causa disso.

Como funciona o tratamento? Quanto tempo dura?

O tratamento normalmente consiste de farmacoterapia associado à psicoterapia. O tempo de tratamento depende dos resultados variando de paciente para paciente.

Que tipo de medicamentos são utilizados?

A medicação de base são antidepressivos, mais especificamente os inibidores seletivos da recaptura de serotonina. Existem relatos de associação de antipsicóticos no tratamento de casos mais graves.

Existe alguma terapia complementar para o tratamento?

Sempre que precisamos encaminhar o paciente para uma terapia complementar devemos levar em conta os tratamentos que, baseado em evidências, tem resultados comprovados. Para o transtorno dismorfico corporal a psicoterapia cognitivo comportamental parece ser a mais indicada.

O que é trabalhado durante as sessões?

O conteúdo das sessões é variado, pois os motivos que levam ao desencadeamento dos sintomas podem ser diferentes de paciente para paciente. Mas sempre é importante que o relacionamento familiar seja um tópico a ser trabalhado. Pode não ser uma regra, mas na maioria dos casos a manutenção dos sintomas pode estar relacionada a uma organização disfuncional dos vínculos familiares. A percepção da auto-imagem também deve ser obrigatoriamente trabalhada no tratamento visto que essa é a expressão da doença per se. Entretanto, esse nem sempre deve ser o único motivo de discussão nas sessões.

Por que mesmo depois de um procedimento cirúrgico, alguém que sofre com a dismorfobia não fica satisfeito?

Justamente porque o problema não está no corpo, mas sim na maneira como o paciente o percebe. Se uma pessoa portadora desse transtorno não se sente satisfeita com o formato de seu nariz e se submete a um procedimento cirúrgico, é muito provável que, mesmo com a aprovação de outras pessoas, ela não se sinta satisfeita e acabe a se submetendo a outro procedimento.

Essa sensação de insatisfação causa impactos no comportamento das pessoas podendo limitar sua vida pessoal?

A CID10 (Classificação Internacional de Doenças 10ª Ed.) relata que os sintomas de ansiedade e depressão estão frequentemente presentes nesses pacientes. É comum que as pessoas sofram gravemente com seus sintomas chegando a ter prejuízos laborais e pessoais. A incapacidade no trabalho não é incomum visto que muitas pessoas experimentam grande desconforto quando se expõem a situações públicas. Também devido a isso, os pacientes experimentam prejuízos sociais importantes com declínio nos relacionamentos interpessoais.

Qual o perfil das pessoas que sofrem com esse problema?

Não existem características especificas. Entretanto, pessoas portadoras do transtorno (ou com risco de desenvolver) possuem uma preocupação excessiva com forma e beleza e recorrem a repetidamente a recursos com objetivo de melhorar sua imagem.

A dismorfobia atinge mais homens ou mulheres? De qual faixa etária?

Parece não existir diferença entre homens e mulheres. A idade mais comum de inicio dos sintomas é na adolescência ou inicio da idade adulta.

Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - médico psiquiatra, Járaguá do Sul-SC

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Síndrome de Pânico é um transtorno psiquiátrico relativamente comum entretanto, muitas vezes, mal diagnosticado e conseqüentemente mal tratado. A característica essencial desse transtorno é que a pessoa portadora sofre de ataques recorrentes e imprevisíveis de ansiedade intensa. Geralmente os pacientes não identificam uma causa psicológica aparente pois a eclosão dos sintomas pode acontecer sem aviso prévio, inclusive em momentos em que se sente que “tudo está muito bem”. Os sintomas mais comuns são dores ou aperto no peito, acompanhados de dificuldade para respirar, angústia e sensação iminente de morte. Ou seja, a pessoa sente que vai morrer, naquele momento, em decorrência dos sintomas. Isso faz com que os portadores dessa síndrome procurem de forma recorrente os serviços emergência sendo que na maioria dos casos o seu exame físico não aponta nenhuma anormalidade que justifique os sintomas. É comum que pessoas com síndrome de pânico desenvolvam uma tendência a “catastrofizar” seus sintomas ficando sempre atentas a qualquer sinal que possa ser preditivo de uma nova crise. Ou seja, começam a se preocupar demais com “qualquer dor” ou “qualquer sensação estranha” com medo que isso seja um ataque de pânico. Dessa forma, se tornam pessoas cronicamente ansiosas e, se não tratadas, a tendência é que sofram crises mais freqüentes e intensas trazendo prejuízos sociais e no trabalho.
Atualmente existe tratamento eficaz para a Síndrome do Pânico. Assim como outros transtornos psiquiátricos a indicação do tratamento é específica para cada paciente podendo variar de acordo com idade, sexo e presença de comorbidades.
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Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - médico psiquiatra, Járaguá do Sul-SC
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O TOC (ou transtorno obsessivo compulsivo) é uma condição debilitante que afeta 2-3% da população em algum momento da vida. As pessoas portadoras geralmente sofrem de pensamentos intrusivos indesejados e recorrentes (obsessões), que são angustiantes e de difícil controle. Ou seja, as pessoas são tomadas por pensamentos que são considerados desagradáveis e, entretanto, não conseguem se livrar desses pensamentos. Muitas vezes esses pensamentos podem ser substituídos por imagens ou sons mas sempre são percebidos como desagradáveis, repetitivos e incontroláveis.
Os pacientes afetados pelo TOC acabam encontrando formas de se livrar, mesmo que temporariamente, de suas obsessões através de atos repetitivos (compulsões).

Um exemplo disso pode ser visto na sequência de imagens do filme O Aviador disponibilizada nesse site
(clique aqui para assistir). Aos 3:44s da seqüência do vídeo vemos uma cena de intenso sofrimento psíquico que representa bem uma quadro de TOC. Howard Hughes (interpretado por Leonardo di Caprio) parece ter apenas uma idéia perseverante na sua mente: “Minhas mãos estão sujas!”. Essa idéia (obsessão) é tão persistente e tão desagradável que a única forma de se livrar dela (ou aliviar temporariamente) é lavando insistentemente suas mãos (ato compulsivo). Os atos compulsivos são maneiras (mesmo que temporárias) de aliviar a tensão causada pelas idéias obsessivas recorrentes.

Pesquisas recentes mostram que pessoas com TOC e seus familiares possuem uma baixa função em áreas cerebrais responsáveis pelo controle habitual do comportamento (stop). As áreas vermelhas marcadas nas imagens são conhecidas como regiões responsáveis por esse controle no comportamento (stop). As pessoas saudáveis possuem essas áreas mais funcionantes. Em pacientes com TOC, bem como em seus familiares, vemos que essas áreas estão pouco ativas.


Atualmente o diagnóstico de TOC ainda é clínico, ou seja, baseado em entrevista, e muitas vezes subjetivo. Portanto, o conhecimento dessas causas orgânicas podem conduzir para um melhor diagnóstico e, em última análise, melhores tratamentos.

As pesquisas futuras provavelmente se preocuparão em identificar os genes que contribuem para o aparecimento dos sintomas uma vez que o transtorno pode não ser identificado em familiares próximos que partilham semelhantes estruturas cerebrais e nem sempre desenvolvem o transtorno.

Você acha que pode ter TOC?
Faça um teste clicando aqui.

No nosso site temos outras informações sobre
TOC.
Dr. Daniel Bittencourt de Medeiros - médico psiquiatra, Járaguá do Sul-SC
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Para estimular adequadamente o seu filho, sugerimos algumas brincadeiras para o primeiro ano de vida. É importante sabermos que o aprendizado ocorre durante todo o ciclo de vida  e cada momento deve ser aproveitado com carinho e dedicação.
Dos 0 aos 3 meses de vida
Se você passou a mão na barriga e conversou com seu bebê durante a gestação, ele vai conhecer a sua voz após o nascimento. Quando seu bebê estiver deitado de costas, vá até um dos lados do berço e chame-o pelo nome. Continue dizendo seu nome até que ele mova os olhos ou a cabeça na direção da voz. Depois vá até o outro lado do berço e diga seu nome outra vez.
Massageie delicadamente o bebê enquanto sorri, olhe-o nos olhos e chame-o pelo nome. Você pode usar um óleo apropriado para a pele do bebê para tornar essa massagem mais agradável.
Pegue o bebê no colo e balance-o dizendo as palavras: "Tetéia, gracinha, amo você". Ao dizer a palavra "você", beije uma parte do seu corpo - cabeça, nariz, dedos dos pés. Essa brincadeira promove a ligação mãe e filho. Quanto mais um bebê é abraçado, aconchegado e pego no colo, tanto mais seguro e independente será no futuro.
Coloque música instrumental suave ou canções de ninar para o seu bebê. Principalmente aquelas que você escutou a partir da 35° semana de gestação. Músicas com melodias que se repetes acalmam a criança porque é o tipo de som que ela escutava dentro do útero.
Os bebês gostam de olhar para rostos. Faça diferentes expressões faciais e sons para desenvolver a visão e a audição de seu filho. Cante uma música e faça movimentos exagerados com a boca. Ponha a  língua para fora, faça sons com os lábios.
Procure esfregar os braços de seu bebê em texturas diferentes como cetim, lã, tecidos felpudos, malha. Isso aumenta a consciência de si e do mundo.
Coloque móbiles preto e branco pendurados no berço do seu filho. Mais tarde substitua-os por móbiles coloridos.
Cante para o seu filho enquanto tiver trocando suas fraldas, sorria enquanto estiver cantando. É uma maneira delicada e aumenta a ligação entre vocês.
Dos 3 aos 6 meses
Pegue vários brinquedos coloridos e, um de cada vez, mova-os lentamente para a frente e para trás diante de seu bebê para estimular sua visão.
Pegue as mãos do seu bebê e bata palminhas delicadamente em frente ao seu rosto. Ao fazer isso cante uma música: bate palminha, bate, ...
Usando o indicador e o dedo médio, dê batidinhas bem delicadas em diferentes partes do corpo do seu bebê. Ao dar a batidinha, diga o nome daquela parte do corpo.
Pense em todos os lugares para os quais é bom olhar. Mostre-os para seu bebê: janelas próximas a árvores, pássaros voando, carros andando na rua, pessoas caminhando, etc.
Para incentivar o domínio da linguagem, grave os sons de seu bebê e coloque para ele escutar. Se ele gostar de ouvir os sons gravados, tente fazer o mesmo com sons da natureza: pássaros, cachoeira, ondas do mar, etc.
Chutar desenvolve a coordenação motora e os bebês adoram fazer. Use sapatinhos de bebês com fitas coloridas, eles adoram olhar para elas enquanto chutam. Balance um chocalho ou um sininho diante dos seus pezinhos e mostre-lhe como chutar o chocalho e o sininho.
Dos 6 aos 9 meses
Cante suas músicas para seu filho. Depois recite as mesmas palavras de formas diferentes: sussurrando, com voz suave, alto e em falsete. Crianças constantemente estimuladas por palavras quase sempre são fluentes aos três anos de idade.
Os bebês gostam de comer com as mãos, pois assim experimentam uma sensação intensa de poder e controle. Coloque algumas ervilhas e pedaços de cenoura cozidos na mesa em frente ao seu filho e mostre como colocá-los na boca com as mãos.
Acene com os pés e as mãos de seu bebê para pessoas e animais de estimação. Isso reforça os laços afetivos com o seu bebê.
Coloque algumas esponjas na água do banho e esprema para que a água escorra por suas mãos, braços, cabeça e outras partes do corpo. Mostre ao seu filho como apertá-la para que a água escorra. Ajuda no desenvolvimento da coordenação motora de músculos pequenos.
Brinque todos os dias com os livros junto com o seu filho. Escolha aqueles com frases curtas e ilustrações simples. Deixe que o bebê segure e passe as páginas. Apenas cite o nome das ilustrações. A história vem depois.
Empilhe almofadas no chão e deixe que seu filho se divirta com elas. Ajuda a desenvolver a coordenação de músculos grandes.
Dos 9 aos 12 meses
Escolha uma música para cantar enquanto dá banho no seu filho. O melhor é escolher uma que fale de algo que sobe e desce. Use o sabonete e a toalha de banho e suba lentamente pelo braço do bebê ao cantar uma parte da música que fala de subir. Faça o movimento inverso com a parte que fala de descer. Você também pode usar um brinquedo e movimentá-lo para cima e para baixo.
Jogue um cubo ou uma bolinha na banheira e veja se o seu filho consegue pegá-lo com um copo ou uma xícara. Mostre a ele como fazer.
Ajude o seu filho a adquirir consciência do mundo. Sente-se no chão com ele de frente para você e faça movimentos incentivando-o a imitá-lo. Faça uma careta engraçada, ponha a língua para fora e faça sons esquisitos, mova a cabeça em diferentes direções, imite animais, deite-se de costas e chute o ar. Faça isso também em frente a um espelho.
Brinquedos de empilhar oferecem o desenvolvimento por meio do elemento lúdico. Incentive-o a empilhar na ordem de maior para menor e de menor para maior, jogar os anéis para que eles entrem em um eixo, colocar os anéis nos dedos da criança, colocar os anéis na boca, fazê-los girar.
Sente o seu bebê no colo, de frente para você e cante uma música enquanto segura as mãos do bebê. Na última palavra de cada verso, bata suas mãozinhas ao mesmo tempo que enfatiza essa última palavra.
Leve seu bebê para passear ao ar livre e ajude-o a explorar o ambiente. Ajude-o a focalizar uma coisa de cada vez. Empurre o carrinho e pare diante de coisas interessantes para conversar a respeito. Converse sobre três ou quatro coisas em cada passeio.
Toda criança precisa de atenção concentrada para se sentir amada. Deixe seu filho se sentir merecedor do seu amor, reserve um tempo para estar plenamente com ele todos os dias.

fonte: http://www.news.med.br

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